sábado, 7 de março de 2015

"Tirai tudo isso daqui; Não transformem a casa de meu Pai num mercado" (Jo 216)

Esta passagem da bíblia que a Santa mãe igreja nos propõe na missa de hoje nos mostra um Jesus que tem uma atitude e um comportamento firmes na defesa da sacralidade do templo, mas sobretudo na defesa do pobre ante a injustiça perpetrado por vendilhões do templo. Jesus expulsa os vendedores dos bois e das ovelhas, deitou por terra o dinheiro dos cambistas. Dirige palavras particulares aos vendedores de pombas. 
No tempo de Jesus haviam estes exploradores que parasitavam a custa da fé e ingenuidade dos outros. As pessoas que tinham maiores posses ofereciam animais de maior porte bois e ovelhas. Os mais pobres, por isto, costumavam oferecer animais mais modestos, pombas. 
E Jesus expulsa a todos mas sem deixar de chamar atenção directamente aos que exploravam os mais pobres. O nosso Jesus deixa nos aqui um ensinamento de que todos devem ser protegidos mas que tem um apreço especial pelos mais vulneráveis e na sua protecção. Dito doutra forma, Jesus é especialmente duro com os exploradores dos mais pobres. 

E hoje no nosso pais, na nossa cidade. Que vendilhões? Que fazem, que vendem nos templos? Menor ou Maior? Vendem desde sal de Israel, óleo de Israel, agua do Jordão… pedaço do manto, que coisa gente. E compra o nosso povo? Um povo que é muitas vezes elogiado de inteligente? Distraidamente o meu povo compra vendendo a alma nestes vendilhões. E nós permitimos caladamente que se explorem pessoas claramente indefesas, vituperadas pela vida? Vendem tratamento de dores, de vómitos, de vícios até de sida, já vendem cura? Aceitam transferências bancárias, aceitam salário por inteiro, aceitam casas! Mesmo se for caso de tribunal! 

Se as autoridades não dizem muito ou nada. Se o sistema nacional de saúde não diz nada. Quantas pessoas já não tem sua sanidade mental após esta exploração sagaz da pobreza espiritual de muitos? Também nós devemos nos calar? Jesus devia então ficar quieto? Expulso- os! Repreendeu os exploradores dos mais pobres. Jesus denunciou e anunciou! Isto foi no seu tempo. E nós no nosso tempo?

Quantos compradores de pombas aos vendilhões de hoje eram nossos amigos, nossos parentes, nossos vizinhos, nossos catequizandos, nossos colegas de catequese ou crismamos juntos?


Ainda podemos dizer com Jesus "Tirai tudo isso daqui; Não transformem a casa de meu Pai num mercado" (Jo 216).

Dino

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