Dia 8 de março – Dia Internacional da Mulher. Já já as lojas
estarão entregando flores para suas clientes e as mensagens de Feliz Dia da
Mulher estarão nos comerciais de rádio e TV, nos outdoors pelas ruas das
cidades e em todos os panfletos de promoção de liquidificadores, de ferro de
passar roupas, de chapinhas e secadores de cabelo. Comerciais cheios de
corações elogiando as características que a sociedade tanto prima em nós
mulheres princesas e rainhas: meiguice, doçura, romantismo, vaidade, beleza.
Serão muitos exemplos de boas mães e esposas, iguais aquelas dos comerciais de
margarina, fortalecendo o discurso da feminilidade ligada à emotividade, ao
conservadorismo, ao consumismo, à passividade e à delicadeza, no intuito de
reforçar o papel dado como secundário à mulher na sociedade.
O
comércio de chocolate e as floriculturas adoram esta data!!!
Porém,
o Dia Internacional da Mulher não é um dia festivo, é um dia de celebração. Na
celebração fazemos memória! E o que é fazer memória neste dia? É lembrarmos da
motivação inicial para que este dia seja considerado internacionalmente como o
Dia da Mulher, é celebrarmos as conquistas e enumerarmos as opressões vividas
cotidianamente por mulheres do mundo inteiro, é nominá-las. É dia de lembrarmos
de todas as mulheres que lutaram por melhores condições de trabalho nas
fábricas têxteis e bélicas, as que lutaram pelo direito de votar, doando suas
vidas em nome de causas coletivas.
É dia
de lembrarmos de todas as mulheres que foram queimadas vivas porque conheciam o
poder curativo das plantas, a sabedoria dos ciclos lunares, o poder das rezas e
que por saberem “demais” foram ditas malditas. Estas que exerciam o cuidado com
as outras mulheres, com a vida, eram parteiras, benzedeiras, curandeiras e
foram queimadas porque eram bruxas.
Mulheres
simples, camponesas, agricultoras, analfabetas anônimas, como tantas outras
acadêmicas que lutaram e lutam por direitos e condições iguais de trabalho, que
lutam e lutaram pela vida de nossas florestas, por melhores condições de saúde
e educação, por respeito. Mulheres revolucionárias, engajadas em partidos
políticos, ou influenciando nas decisões da esfera pública.
Dia de
memória pelas mulheres que foram escravizadas, violentadas. Que foram mortas
por serem mulheres, por serem “inferiores”, e por isso, terem de tornar fácil a
dominação masculina. Por todas que somos objetificadas pela mídia e pela
sociedade, que temos os nossos direitos negados ou diminuídos por sermos
mulheres.
O 8 de
Março é dia de celebração por causa de todas elas que deram suas vidas,
alimentando assim a nossa mística e nossas utopias. Dia de celebrar sabendo que
temos ainda muito o que lutar. É dia de celebrar outras qualidades como força,
coragem, cumplicidade, solidariedade, sororidade, e com esta última,
afirmamos que não somos rivais, somos companheiras, irmãs.
A cor
da luta é lilás, porque é a síntese do azul com o rosa, pois a luta das
mulheres não é somente pelas mulheres. É a luta por uma sociedade igualitária,
justa.
Por
isso não me deseje um feliz Dia da Mulher, levante e lute comigo!!!
Sem comentários:
Enviar um comentário