terça-feira, 20 de novembro de 2018

Chabilota Mendes: Uma viagem encantadora


São muitas e boas as lembranças que tenho dos momentos passados com ela. Lembranças essas, que me transportam para uma deliciosa viagem a um tempo que não volta. Lembro e muito da minha avó, da mulher cativante, decidida, autêntica, ousada, trabalhadeira, boa conselheira, engraçada, forte; a mulher que mais admiro neste mundo, mulher que ensinou-me ser “mudjer e nau kudjer” como ela tanto dizia… (risos).

Enfim, por essa mulher, nenhuma palavra do mundo me ajudaria a expressar a grandeza e o tamanho do amor que por ela sinto. Oh como tenho saudades do seu meigo olhar. De quando chegava e a enchia de beijos e carinhos. Apesar da idade avançada, e de poucas palavras, sempre sorriu para mim, dizendo “ah Sheila hoji go bu dura ki ben”!

Essa mulher de quem tento falar e a que me refiro, foi batizada com o nome de Giralda Mendes. Entretanto, carinhosamente, foi conhecida por Chabilota Mendes, “Mudjer Ruspetada”. Eu sempre a chamei de vovó.

Ah como é bom falar dela, sinto uma ternura por dentro, uma saudade de ver vovó dando ordens na casa, chateada connosco porque estamos em cima da cama. Os melhores momentos que passei foram com ela. Éramos eu e ela, na maioria das vezes. Deixava os meus pais e irmãos em casa, para dormir com ela, a minha vovó.

Que lembrança boa! Vovó acordava-me de madrugada para pôr a conversa em dia e eu carregada de sono respondia na mesma até perder sono. Ela dizia “deta go, bu durmi pamodi mi n sa bai terasu djobi porku”. Eu me acordava com um cheiro agradável de cuscuz, gostoso feito por ela.


São muitos os momentos vividos com ela de que só as memórias são testemunhas e fiéis guardiães. Nem todas as pessoas têm a sorte de construir um relacionamento profundo e bonito com os seus avós, mas eu tive essa sorte. Desde pequena fui louca pela minha Chabilota. Uma mistura de avó, mãe, pai, amiga, porto seguro, tudo junto e misturado.
É difícil acordar e ver que ela partiu. A saudade dói; uns dias mais que outros! Os seus braços me confortavam tanto, as suas palavras eram abrigo para mim. Foi com ela que eu aprendi tantas coisas. Foi com ela que passei dos momentos mais lindos.

O coração aperta em saber que hoje (21 de Novembro) fazem 3 meses que ela desceu dessa viagem de comboio e me deixou sozinha a continuar a viagem. Mesmo assim me agarro à esperança de que um dia a vou encontrar em alguma estação. Desde que perdi essa mulher, vivo só de lembranças. A vida é uma viagem de comboio mesmo como dizia alguém. Pois não passa de uma viagem de comboio, cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, agradáveis surpresas em muitos embarques e grandes tristezas em alguns desembarques.

Ainda bem que eu soube aproveitar e passar os bons e melhores momentos com essa senhora que amo até no céu. Por isso apelo a você que está a ler este meu desabafo: Cuide bem da sua avó, ou dessa pessoa pela qual tem um amor idêntico, ame-ame-a a cada dia; aproveite cada minuto e desfrute os momentos que de certeza serão os únicos. Pois hoje só sobraram as doces lembranças dos momentos de alegria com a minha querida e amada avó, Chabilota Mendes- Nha grandeza”. Enfim a amo na mesma e sempre sinto-a no meu coração. A implacável saudade ficou como minha companheira.

Sheila Martins
SakutaJovem

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