Uma Proposta de leitura, é a nossa rubrica em que leigos ou consagrados farão uma leitura das mensagens do Papa e ou do nosso Cardeal. Para começar o Frei Danilson Andrade, Ilha Brava, fez nos a leitura da mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2015, «Fortalecei
os vossos corações» (Tg 5,8)!
A mensagem do Papa
Francisco para a Quaresma deste ano se insere muito bem e se identifica no
estilo do seu pontificado: aberto, uma linguagem simples e prática que aponta
uma Igreja que quer – precisa – ser diferente para poder continuar a ser no
mundo “a mão que mantém aberta a porta entre Deus e o homem, entre o Céu e a
terra”.
O objectivo desta
mensagem se espelha claramente nestas frases: “Quando o povo de Deus se
converte ao seu amor, encontra resposta para as questões que a história
continuamente nos coloca. E um dos desafios mais urgentes, sobre o qual
me quero deter nesta Mensagem, é o da globalização da indiferença”. O
Papa retoma um tema que tem sido recorrente nos seus discursos: a globalização
da indiferença. Globalização da indiferença porque, segundo Francisco, “hoje,
esta atitude egoísta de indiferença atingiu uma dimensão mundial tal que
podemos falar de uma globalização da indiferença”. Já na Eucaristia que presidiu
em Lampedusa em memória dos náufragos que se aventuram no mar, movidos pela
busca de melhores condições de vida na Europa e que que encontram a morte, o
Papa tinha feito uma comovente homilia, lembrando a todos que não podemos ficar
indiferentes diante de tantas tragédias humanas.
A sociedade de hoje, o
bem-estar e o comodismo tendem a anestesiar-nos. Toda a Igreja, é convocada,
pela profecia, ao grito contra a indiferença. Este grito será ouvido através do
empenho de todos os crentes para que o outro não caia no esquecimento, na
solidariedade traduzida em gestos práticos de amor, de partilha, de perdão e de
oração. De onde vem a força da Igreja? Da Encarnação, demonstração clara do
amor de Deus por nós. O Deus de Jesus não é o Deus da indiferença. Ele mesmo se
preocupa, sai ao encontro da humanidade ferida e entrega o Seu próprio Filho
pela salvação de todo o homem.
Três textos são utilizados para
delinear esta convocação de toda a Igreja para esta renovação integral e para
este grito contra a indiferença: o primeiro de 1Cor 12,26, dirigido a toda a
Igreja. “Se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros”, isto
é: quem se deixou envolver pelo seu perdão e pela sua misericórdia, tocado pelo
seu amor, partilha esta comunhão de “coisas santas”. O segundo texto é Gn 4,9, dirigido às paróquias e comunidades. “Onde está o teu
irmão?” Uma Igreja atenta, que recusa a indiferença entre os irmãos, que ama,
cuida e protege os seus membros mais frágeis, que não se refugia num
universalismo estéril mas que tira a sua força na comunhão e na oração e se
abre à missão. Finalmente, o terceiro texto (Tg 5,8) é o que dá o título à
mensagem. É dirigido a cada fiel. Que fazer diante de tantos acontecimentos e
sofrimentos humanos que nos fazem sentir impotentes? Primeiro rezar, segundo “podemos
levar ajuda, com gestos de caridade, tanto a quem vive próximo de
nós como a quem está longe, graças aos inúmeros organismos
caritativos da Igreja” e terceiro deixar-se interpelar e converter pela
fragilidade do outro.
Um último ponto – e em
jeito de curiosidade – a mensagem é datada de 4 de Outubro 2014, dia da festa
litúrgica de São Francisco de Assis, o santo pobre que, com a própria vida, no
seu tempo, chamou à atenção para o tesouro da Igreja abandonado pela
indiferença: os pobres.
Sem dúvidas, estas são
propostas actuais e desafiantes. Cabe a nós colocá-las em prática. Boa
caminhada quaresmal a todos!
frei Danilson
Andrade
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