sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

"A primeira forma de ajudar o nosso país é escolher bons governantes e essa responsabilidade é nossa, ainda mais num país com a maior parte da população jovem" Graça Sanches

Entrevista é uma rubrica mensal do nosso blog, e, que convidaremos um jovem para uma conversa saudável e de jovem para jovem. A nossa primeira entrevistada é a jovem deputada Graça Sanches. Ela que fez sua juventude perto de grupos de jovens na paróquia de Nossa Senhora da Graça, tendo inclusive participado na JMJ Roma 2000 no ano do grande Jubileu. Confira a entrevista sobre a faceta politica da jovem, e não só!.

Juventude Diocesana: Conte-nos um pouco de si e dos valores que carrega.
Graça Sanches: Desde criança que carrego comigo um dos valores mais importantes na minha vida, que é a minha Família, é algo que não tem preço e que para mim está acima de tudo. Todo o resto tem a família como base. Valores como a partilha, Humildade, Respeito e União advieram da minha família.

JD: Fale um pouco da tua trajectória. Como se preparou para ser deputada?
GS: Não tive nenhuma preparação específica para ser Deputada. Eu sempre acompanhei de perto a vida política em minha casa através da minha família, mas não escolhi logo entrar no partido, inclusive eu lembro-me que participava em comícios de vários partidos. Quando terminei o curso e regressei a Cabo Verde, comecei a participar nas actividades da Juventude do PAICV e aí senti-me a vontade para escolher que queria ficar no PAICV. Entretanto, em 2008 fui convidada para lista na Camara Municipal Praia como Veradora e a partir daí comecei a intensificar a minha acção politico-partidária, até que em 2011 vim para o Parlamento.

JD: Apesar do descrédito que alguns têm quanto à política, você optou por esse caminho. Por quê?
GS: Eu na altura que me chamaram para vir ao Parlamento, era Directora Educação Pré-escolar e Básico e lembro-me de ter falado com a Ministra e estava um pouco indecisa se deixava de lado a minha carreira profissional para fazer politica a tempo inteiro, mas ouvindo várias pessoas acabei por optar pelo Parlamento. Achei que seria uma forma de dar a minha colaboração para o País, mostrar as minhas ideias e continuar a trabalhar numa área que eu gosto que é a Educação. Por outro lado, quis aproveitar a oportunidade e a confiança que o meu partido depositou em mim, acreditando que eu seria uma mais-valia, aliás alguém me teria dito que “ seja no Ministério, seja no Parlamento, eu seria uma pessoa útil” isso me deixou a vontade para escolher.

JD: O que fazer para que o jovem tenha voz nos partidos, nos movimentos sociais e na sociedade em geral?
GS: Olha as mudanças acontecem com a nossa atitude e o nosso comportamento. Eu tenho feito um esforço para servir de inspiração para os jovens cabo-verdianos com o meu trabalho. Dedico inteiramente ao Parlamento. Ao contrário do que as pessoas pensam eu tenho uma agenda cheia todos os dias. È com essa agenda de trabalho que eu tenho feito eco junto do meu partido para que mais jovens recebam a confiança e a oportunidade que eu recebi.

JD: Como conciliar a burocracia nas instituições públicas com a pressa dos jovens em transformar a sociedade?
GS: Aí esta o grande problema…não podemos querer as coisas desta forma. Não considero que seja burocracia, penso que cada coisa acontece ao seu tempo e quando fazemos o nosso trabalho somos chamados onde quer que estejamos. Outra coisa diferente são algumas injustiças que reconheço que as vezes acontecem, casos pontuais.


JD:  Que dificuldades você encontra na sua actuação?
GS: Eu acho que a maior barreira tem a ver com a mentalidade das pessoas acharem que os jovens não tem maturidade ou experiência para assumir determinadas funções. Um outro aspecto tem a ver com o facto de sermos mulheres e isso ainda constitui alguns obstáculos, mas, eu pessoalmente não tenho tido grandes problemas, muito pelo contrário, dentro do meu partido sempre tiver vez e voz.

JD: Você se sente uma pessoa realizada na política?
GS: Ainda não… tenho sonhos, tenho projectos que ainda não concretizei, mas sinto-me uma profissional feliz porque faço aquilo que gosto.


JD: Por que os jovens devem participar na política, votar e participar do processo eleitoral?
GS: Todos nós devemos participar. A primeira forma de ajudar o nosso país é escolher bons governantes e essa responsabilidade é nossa, ainda mais num país com a maior parte da população jovem. Devemos participar para termos voz e ajudarmos na definição de políticas sectoriais para os jovens e devemos participar, porque ficando de fora não estaremos a ajudar, mas sim, a contribuir para a nossa sociedade seja ´débil de cidadania.

JD: Que mensagem deixa para os jovens e estudantes quanto à participação política e na sociedade?
GS: Primeiro devemos aproveitar bem as oportunidades que nos aparecem, pois a partir daí estaremos a construir uma imagem positiva para que mais jovens possam ter chances. Depois a única forma de fazer valer o que nos vem na alma é participando e estando presente, por último, acho que temos jovens criativos, inteligentes, empreendedores e que bem aproveitados nas suas potencialidades serão uma mais-valia para o país.

JD: Para finalizar mesmo diga algo sobre a criação do Cardeal D. Arlindo Furtado.

GS: Bem, sou uma pessoa suspeita para falar disso,,(risos).. mas penso que é o reconhecimento do trabalho que o País vem fazendo em especial deste grande homem, que tem sido um exemplo de humildade. Isso justifica o facto de que, quando nos empenhamos no nosso trabalho seremos sempre reconhecidos. Representa também uma grande responsabilidade para Cabo Verde e para Igreja e acredito que seja algo meritório e que não aconteceu por acaso. 

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